
CORRENDO ATRÁS DA MODA
25 de abril de 2026
CORRENDO ATRÁS DA MODA
25 de abril de 2026QUEM ROUBOU O MEU TEMPO?
Raquel Gonçalves

E stou aqui, louca, quase surtando: terça-feira, lista de coisas para resolver, agendar, comprar, pagar etc. O mês virou, e ainda não f iz as contas; tenho projeto do curso para entregar, casa para organizar, academia para fazer, quatro quilos para emagrecer, e meus alunos me esperam sorridentes amanhã, às 7:30. Tem como não surtar? Mas não vou surtar, não, não. Quem devora uma caixa de Bis, um pote de sorvete ou uma garrafa de vinho para afogar as mágoas geralmente se afoga primeiro no remorso, e as mágoas continuam soltas por aí. Surtar engorda.
Imagino nossas ancestrais, em suas caverninhas, fazendo fogueira, caçando, colhendo, pescando, carregando os filhos nas costas e fugindo das feras. Será que elas não pensavam algo como: “Se tivéssemos uma maneira mais rápida e fácil de conseguir alimento, cozinhar, cuidar dos f ilhos etc., nossa vida seria mais fácil? Teríamos tempo para apreciar o pôr do sol e usar nossa inteligência para criar coisas como a roda, a batedeira de bolo ou uma chapinha que não estragasse o cabelo”. Milênios e muitos cartões de crédito depois, conseguimos tudo isso: fogão para cozinhar, uma caverninha confortável (o imposto da casa está bem caro e ainda tem muito neandertal mal-educado andando na rua, mas tudo bem), compramos nosso alimento no mercado, que pode vir até temperado e assado, mas ainda não sobrou tempo para admirar o crepúsculo, as estrelas e, muito menos, para fazer ciência.
Imagino minhas bisavós, lá na fazenda, pensando: “Se tivéssemos máquinas para lavar a roupa e a louça, algum trambolho para aspirar o pó da casa, uma maneira mais prática de cozinhar que não utilizasse lenha e panela de ferro, algum lugar para conseguir as verduras e ovos, sem precisar cuidar da horta e do galinheiro etc., teríamos mais tempo para ler os livros de Machado de Assis e José de Alencar, aprender francês, fazer crochê e brincar com as crianças”. Tenho o privilégio de ter na minha casa um verdadeiro exército doméstico: lavadora, secadora, aspirador de pó, liquidificador, airfryer, geladeira, freezer, mas ainda não sobra muito tempo para os livros, para o crochê e muito menos para o francês. Trabalho na escola oito horas por dia, matematicamente ainda tenho outras dezesseis horas que não sei onde se escondem.
Minha mãe passava muito tempo em f ilas: f ila do banco, da loja, do ônibus, do correio, da farmácia... Hoje, eu tenho um carro para fazer minhas coisas e resolvo quase tudo online: banco, e-mail, pagamentos etc.
Mas ainda sinto que vivo na correria, brigando para conseguir uma lasquinha de tempo para mim, dormir uma hora a mais, desenvolver meus projetos ou, sonho dos sonhos, tempo para não fazer nada, desperdiçado no não fazer, e não ser cobrada por isso. Engraçado que essa falta de tempo é quase uma epidemia: todos reclamam que o tempo está curto, que falta tempo para fazer o mais importante, viver tranquilamente, sem apressar o tempo.
Mas onde está o nosso tempo? O dia não tem mais vinte e quatro horas, ou aproveitamos as comodidades modernas para gastar as horas livres que conquistamos em coisas redundantes, desnecessárias ou simplesmente inúteis? Enquanto não encontro a resposta, continuo a andar de lá para cá, como formiguinha, sempre ocupada, às vezes sem saber por quê.
A indústria moderna fez tantas maravilhas para a nossa vida, mas parece que não aprendemos a tirar muito proveito delas. O que fizemos com aquele tempo que ganhamos quando o tanque foi embora e a máquina de lavar roupa entrou em casa? Onde foi parar aquele tempo que a lava-louças nos deu de presente? O que posso fazer agora, quando não tenho mais que enfrentar a f ila do banco? Se alguém tiver a resposta, por favor, me avise. Se tiver tempo, é claro.
A indústria moderna fez tantas maravilhas para a nossa vida, mas parece que não aprendemos a tirar muito proveito delas. O que fizemos com aquele tempo que ganhamos quando o tanque foi embora e a máquina de lavar roupa entrou em casa? Onde foi parar aquele tempo que a lava-louças nos deu de presente? O que posso fazer agora, quando não tenho mais que enfrentar a f ila do banco? Se alguém tiver a resposta, por favor, me avise. Se tiver tempo, é claro.
Minha mãe passava muito tempo em f ilas: f ila do banco, da loja, do ônibus, do correio, da farmácia... Hoje, eu tenho um carro para fazer minhas coisas e resolvo quase tudo online: banco, e-mail, pagamentos etc.
Mas ainda sinto que vivo na correria, brigando para conseguir uma lasquinha de tempo para mim, dormir uma hora a mais, desenvolver meus projetos ou, sonho dos sonhos, tempo para não fazer nada, desperdiçado no não fazer, e não ser cobrada por isso. Engraçado que essa falta de tempo é quase uma epidemia: todos reclamam que o tempo está curto, que falta tempo para fazer o mais importante, viver tranquilamente, sem apressar o tempo.
Mas onde está o nosso tempo? O dia não tem mais vinte e quatro horas, ou aproveitamos as comodidades modernas para gastar as horas livres que conquistamos em coisas redundantes, desnecessárias ou simplesmente inúteis? Enquanto não encontro a resposta, continuo a andar de lá para cá, como formiguinha, sempre ocupada, às vezes sem saber por quê.
A indústria moderna fez tantas maravilhas para a nossa vida, mas parece que não aprendemos a tirar muito proveito delas. O que fizemos com aquele tempo que ganhamos quando o tanque foi embora e a máquina de lavar roupa entrou em casa? Onde foi parar aquele tempo que a lava-louças nos deu de presente? O que posso fazer agora, quando não tenho mais que enfrentar a f ila do banco? Se alguém tiver a resposta, por favor, me avise. Se tiver tempo, é claro.

